Diário de um Ônibus: I

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Um homem entra sorrateiramente e senta no chão. Após acomodar-se revela o conteúdo em sua camisa: um pequeno e indefeso cachorrinho.

Em alto e bom som, numa sonoridade única, vozes femininas emitem um “Ó”. Logo após vem “Que buni-buni”.

Do alto de mim mesmo, observo que o pequeno filhote está dormindo, mas sua pata dianteira esquerda treme vertiginosamente. O homem revela: “ela tá durminu!”.

Esse homem está meio estranho. O ônibus pára. O ar deixa de ser circulado. No ar a substância proveniente da estranheza do homem surge: é cola de sapateiro.

Esse repete, novamente: “ela tá durminu”. E de novo. E de novo. Pelo jeito ele não está em seu estado….. me fugiu a palavra.

Não entendo o exstasy do homem com o fato do cachorro “tá durminu”, afinal, ele repete em intervalos de 33 segundos. Mas entendo a pata dianteira do pequeno mamífero: O cãozinho tá na pira. Exato, além do dono, o buni-buni estava totalmente chapado.

Agora sim: o homem estava surpreso com a repentina sonolência do celomado pois logo após cherar a cola, o pequeno se reservou a curtir uma pira com sua própria pata, chegando a fechar os olhos até. Não era sono, era curtição. E o homem pirava no sono do pequeno.

E as fêmeas ainda continuavam: “que lindinho, que belezura”. Mas eu guardei o segredo, e continuei a viagem…

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Uma resposta to “Diário de um Ônibus: I”

  1. uratani Says:

    shorei?

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